Páginas

Translate

* Silêncio...


Hoje estou mais para estradinha de fazenda
Aquela em que no meio fica um montinho de grama
Marcando o caminho
Com cheiro de frutos maduros na beirinha, só atravessar o farpado
Hoje eu estou mais para o cheiro da goiaba caída no chão
Abelhas voando por trás do torrão
Procurando o doce do que é mais doce
Lá, mais na frente corre um riacho com águas dormentes
Aquela água que no seu silêncio parece parada, sem dor
Vejo uma folha seca que serve como testemunha
Move-se lentamente ao som das moscas que parecem ausentes...
Na estrada mais larga, aquela lá embaixo
Leva o povo pra cidade
Depois daquela reta, na próxima curva vê-se a torre da igreja
Dá uma vontade de ir lá...
Entrar no frescor da sombra e sentir o frio do interior
Enxugar o suor abanando o chapéu
Depois ajoelhar, olhar para o altar e agradecer ao senhor
Agradecer pelo que sinto, pelo que tenho sentido
Poder agradecer o meu discernir entre as pessoas
Quais aquelas que mais precisam de mim
Ou as que nem minha voz deve ouvir...
Coisas do nosso povo do interior
Eu sou do interior e me sinto muito bem participando de tudo isto...
Hoje estou mais para ir até à fazenda
Correr pelo pasto e chegar ao curral
Ouvir o mugir da boiada
Dormir no quintal...